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Quando a LCA Isenta Perde para o CDB
Uma letra a 90% do CDI equivale a um CDB de 116,13% em seis meses e de 105,88% em dois anos.
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A conversão que compara isenta e tributada
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A tela da corretora mostra as duas ofertas uma embaixo da outra, emitidas pelo mesmo banco, com vencimento no mesmo mês. LCA de dois anos pagando 90% do CDI, isenta de imposto de renda. CDB de dois anos pagando 107% do CDI, com imposto retido na fonte no resgate.
Noventa contra cento e sete. A escolha parece resolvida antes de qualquer conta, e a palavra isenta colada no número menor costuma decidir o clique.
O primeiro número já é o que chega na conta. O segundo ainda passa pela Receita Federal, e o tamanho do pedaço que fica lá depende de uma informação que não aparece em nenhuma das duas linhas: quantos dias o dinheiro vai ficar parado.
A tabela regressiva do imposto de renda cobra 22,5% do ganho quando o resgate acontece até 180 dias e desce em degraus até 15% depois de 720 dias. O mesmo CDB entrega quatro resultados líquidos diferentes conforme a data de vencimento escolhida na compra.
Comparar 90% com 107% do jeito que a tela apresenta é comparar duas moedas diferentes. Uma taxa já está líquida, a outra ainda vai encolher, e o percentual do CDI usado nas duas oculta a diferença em vez de mostrá-la.
A conversão que resolve cabe numa divisão de uma linha, e o resultado dela muda conforme o prazo. Em seis meses a letra isenta exige muito mais do produto tributado do que em dois anos, e a distância entre as duas exigências passa de dez pontos de CDI.
A régua desta edição fixa três prazos, seis meses, um ano e dois anos, e devolve o percentual exato do CDI que o produto tributado precisa pagar para empatar com uma letra isenta a 90%.
Antes da régua, vale entender por que as duas taxas anunciadas nascem em regimes diferentes, e por que o banco consegue pagar menos na letra sem perder o cliente para o depósito a prazo.
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I O Princípio
Isenta e bruta não se comparam
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A LCI e a LCA são letras de crédito emitidas por bancos, com lastro obrigatório em carteira de crédito imobiliário no primeiro caso e do agronegócio no segundo. O rendimento chega ao investidor pessoa física sem imposto de renda. |
O CDB é um depósito a prazo emitido pelo mesmo tipo de instituição, muitas vezes pelo mesmo banco e no mesmo dia. O rendimento entra na tabela regressiva e o imposto sai retido na fonte, no resgate ou no vencimento. |
Os dois produtos dividem o risco de crédito do emissor e a mesma cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O que muda entre eles é o lastro exigido pela regulação e o regime tributário aplicado ao ganho. |
A consequência prática desse desenho é discreta. A taxa anunciada de uma letra isenta já é a taxa que chega. A taxa anunciada de um CDB é bruta, e uma parte dela volta para a Receita antes de virar saldo. |
As duas aparecem na mesma unidade, percentual do CDI, e a unidade igual esconde que elas não medem a mesma coisa. Um número maior ao lado de um número menor sugere uma conclusão que a conta ainda não autorizou. |
Existe um motivo pelo qual o banco paga menos na letra. A isenção barateia a captação: se o investidor aceita 90% do CDI limpos em vez de exigir os 109% brutos equivalentes num papel de um ano, o banco levantou dinheiro mais barato pelo mesmo prazo. |
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A isenção não chega inteira ao investidor. Ela é um desconto repartido entre quem emite a letra e quem compra, e a régua de conversão mostra qual pedaço sobrou para cada lado. |
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John Bogle defendeu em Common Sense on Mutual Funds, de 1999, que o único retorno relevante para o investidor é o que sobra depois de custos e de imposto, e que comparar retornos antes dessa subtração leva a decisões erradas. |
Trazer os dois papéis para o mesmo terreno tem duas direções, e qualquer uma resolve. A primeira sobe a taxa isenta até o bruto equivalente, dividindo o percentual pelo complemento da alíquota. |
A segunda desce a taxa tributada até o líquido, multiplicando o percentual pelo mesmo complemento. O erro comum não é escolher a direção errada, é comparar sem converter nenhum dos dois lados. |
A altura do degrau, em qualquer das duas direções, depende do dia em que o dinheiro volta. A tabela regressiva tem quatro faixas, e a distância entre a primeira e a última muda o resultado da comparação inteira. |
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II A Matemática
De 116% a 106% do CDI
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A tabela regressiva tem quatro faixas e cobra sobre o ganho, nunca sobre o capital aplicado. São 22,5% em resgate até 180 dias, 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% entre 361 e 720 dias, e 15% acima de 720 dias. |
A conversão que iguala os dois produtos usa o complemento dessa alíquota. Dividir o percentual do CDI da letra isenta por 0,775, por 0,80, por 0,825 ou por 0,85 devolve o percentual bruto que o CDB precisa pagar para empatar. |
Com uma letra a 90% do CDI, a divisão devolve quatro números distantes entre si. Seis meses pedem 116,13% do CDI. Um ano pede 109,09%. Dois anos pedem 105,88%. |
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| Prazo até o resgate | IR sobre o ganho | Divisor | Uma letra a 90% equivale a | | Até 180 dias | 22,5% | 0,775 | 116,13% do CDI | | De 181 a 360 dias | 20,0% | 0,800 | 112,50% do CDI | | De 361 a 720 dias | 17,5% | 0,825 | 109,09% do CDI | | Acima de 720 dias | 15,0% | 0,850 | 105,88% do CDI |
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Percentual bruto do CDI que um CDB precisa pagar para empatar com uma letra isenta a 90%, por faixa da tabela regressiva. Simulação ilustrativa, sem caráter de recomendação. |
Com cem mil reais aplicados e o CDI em 11,9% ao ano, um papel de 365 dias mostra o tamanho da diferença. A letra a 90% do CDI entrega dez mil setecentos e dez reais líquidos. |
O CDB a 105% do CDI, número comum nas ofertas de banco grande, rende doze mil quatrocentos e noventa e cinco reais brutos e paga 17,5% de imposto. Sobram dez mil trezentos e oito reais, quatrocentos e dois a menos que a letra. |
O empate acontece exatamente em 109,09% do CDI. Acima desse ponto o tributado passa na frente: a 115% do CDI, o mesmo prazo devolve onze mil duzentos e noventa reais líquidos, quinhentos e oitenta a mais que a letra. |
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Um CDB a 107% do CDI perde de uma letra a 90% em seis meses e ganha dela em dois anos. O produto é o mesmo nos dois casos, o que mudou de lugar foi o calendário. |
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Os números do exemplo confirmam a virada. Em seis meses, o CDB a 107% deixa quatro mil setecentos e dezenove reais líquidos contra cinco mil cento e quarenta e seis da letra, quatrocentos e vinte e sete a menos. |
Em dois anos, a mesma dupla troca de posição: vinte e três mil e vinte e quatro reais contra vinte e dois mil quinhentos e sessenta e sete, quatrocentos e cinquenta e sete a mais para o tributado. |
Cada degrau da tabela vale pouco mais de três pontos de CDI na conversão, e são três degraus entre o resgate de seis meses e o de dois anos. |
A régua simples trata o imposto como se ele saísse ao longo do caminho, quando ele sai só no fim, depois de o valor bruto ter rendido sobre ele mesmo. Em dois anos, o CDB a 105% do CDI já empata na conta com juro composto, quase um ponto abaixo dos 105,88% que a divisão tinha pedido. |
O que a régua não resolve sozinha é o dia. Os degraus mudam em datas fixas contadas desde a aplicação, e a data de vencimento entra no contrato na hora da compra. |
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