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O CDI fecha 0,10 ponto abaixo da meta da Selic
Em doze meses, o CDB de 100% do CDI rende cerca de R$ 50 a menos que o Tesouro Selic a cada R$ 50 mil aplicados.
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Duas taxas quase coladas no mesmo gráfico
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A oferta de um CDB começa com uma frase que soa completa e definitiva: cem por cento do CDI. O número tem cara de teto, ou pelo menos de espelho fiel da taxa básica de juros, e o investidor sai da tela com a impressão de que está recebendo exatamente o juro que o país paga. O CDI não é a Selic. Ele é a taxa média das operações que os bancos fazem entre si, de um dia para o outro, para fechar o caixa antes do expediente seguinte começar. A meta da Selic definida pelo Copom é a referência dessas operações, mas o resultado da média fica sistematicamente um pouco abaixo dela. A distância é pequena, medida e constante. Costuma ficar perto de 0,10 ponto percentual ao ano, e não é um desvio acidental de mercado: ela nasce do próprio desenho da operação, porque o empréstimo entre bancos concorre todo dia com uma alternativa que rende a taxa cheia e tem lastro em título público. O efeito prático dessa diferença aparece antes de qualquer decisão. Cem por cento do CDI é cem por cento de um número que já nasce menor que a taxa anunciada pelo Banco Central, e quem contrata esse papel está aceitando, na largada, um pedaço a menos do juro básico. Com a meta da Selic em 15,00% ao ano, o CDI roda perto de 14,90%. Um CDB que promete cem por cento dessa taxa entrega 14,90% brutos, e o Tesouro Selic, que acompanha a taxa cheia, entrega 15,00%. Os dois papéis têm a mesma tabela de imposto de renda e nenhum dos dois cobra taxa de administração no caminho. A conta muda de forma quando entram os custos que cada estrutura carrega. O título público paga custódia à B3, o CDB paga zero de custódia e vem com garantia do Fundo Garantidor de Créditos, e o desenho de cada um tem um valor de aplicação em que ele ganha do outro. Entender de onde vem essa diferença de 0,10 ponto, e por que ela existe todo dia útil sem depender de nenhuma decisão do Copom, é o começo da conta que vem em seguida. Continue lendo ↓ |
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I O Princípio
Cem por cento de um número menor
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O CDI nasce de um mercado específico e fechado. Bancos terminam o dia com sobra ou com falta de caixa, e a regulação exige que eles fechem o dia dentro de determinados limites, então os que sobraram emprestam aos que faltaram, com prazo de um dia útil. |
Essas operações são registradas em certificados de depósito interbancário, os CDIs, e a taxa média das que têm garantia de título público, ponderada pelo volume negociado, vira a taxa DI divulgada ao mercado todo dia. O CDI, portanto, é um preço observado, não uma taxa decidida. |
A Selic funciona ao contrário. O Copom se reúne, define uma meta, e o Banco Central opera diariamente no mercado comprando e vendendo títulos públicos até que a taxa efetiva das operações lastreadas em título fique próxima dessa meta. |
| | A meta da Selic é uma decisão de política monetária. O CDI é o resultado de um mercado que reage a ela. Um número é definido, o outro é apurado. |
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A diferença entre elas é pequena porque as duas operações competem pelo mesmo dinheiro. Um banco com caixa sobrando escolhe entre emprestar ao outro banco e comprar título público do Banco Central, e essa concorrência amarra as duas taxas num intervalo estreito. |
A diferença não é zero pelo mesmo motivo. A operação interbancária tem detalhes de registro, de garantia e de custo operacional que a operação com o Banco Central não tem, e a média do mercado acomoda essa fricção alguns centésimos abaixo da meta. |
O que interessa ao investidor é a consequência contratual. Todo papel indexado ao CDI, o CDB, a LCI, a LCA, a debênture com remuneração em percentual do DI e o fundo de renda fixa que persegue o índice, é corrigido por essa taxa apurada, não pela meta anunciada. |
O princípio que sustenta o resto da edição cabe numa linha. Cem por cento do CDI não é cem por cento da Selic, e a diferença de 0,10 ponto existe todo dia útil, independentemente do que o Copom decida na próxima reunião. |
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II A Matemática
R$ 17 mil, o ponto em que a conta vira
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A conta de doze meses coloca os dois papéis lado a lado com a mesma tabela de imposto. Uma aplicação de R$ 50 mil, resgatada em 365 dias, cai na alíquota de 17,5% sobre o rendimento, e nenhum dos dois papéis cobra taxa de administração. |
O Tesouro Selic acompanha a taxa cheia e paga custódia à B3 de 0,20% ao ano, cobrada apenas sobre o valor que passa de R$ 10 mil por investidor. O CDB de cem por cento do CDI paga a taxa apurada, sem custódia, com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por instituição. |
| | | Aplicação | Taxa bruta | Rendimento bruto | Imposto 17,5% | Custódia B3 | Líquido | | Tesouro Selic | 15,00% | R$ 7.500,00 | R$ 1.312,50 | R$ 80,00 | R$ 6.107,50 | | CDB 100% do CDI | 14,90% | R$ 7.450,00 | R$ 1.303,75 | zero | R$ 6.146,25 | | CDB 102% do CDI | 15,20% | R$ 7.599,00 | R$ 1.329,83 | zero | R$ 6.269,17 | | LCI 90% do CDI | 13,41% | R$ 6.705,00 | isento | zero | R$ 6.705,00 |
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Exercício com R$ 50 mil por 365 dias, meta da Selic em 15,00% e CDI em 14,90%. Exemplo didático, sem caráter de recomendação nem de projeção. |
A primeira leitura contraria a manchete da edição. Nesse valor o CDB de cem por cento do CDI entrega R$ 38,75 a mais que o Tesouro Selic, mesmo rendendo 0,10 ponto percentual a menos de taxa bruta. |
A explicação está na coluna de custódia. A diferença de taxa vale R$ 50 brutos no ano, e sobra menos que isso depois do imposto, enquanto a custódia da B3 sobre os R$ 40 mil que passam da faixa isenta custa R$ 80 limpos, sem nenhum desconto tributário. |
| | A desvantagem de 0,10 ponto do CDI é proporcional ao valor aplicado. A custódia da B3 é proporcional ao valor que passa de R$ 10 mil. Duas retas com inclinações diferentes se cruzam em um ponto só. |
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O cruzamento tem endereço. Antes do imposto, a diferença de taxa iguala a custódia quando o valor aplicado chega a R$ 20 mil, porque 0,10% de R$ 20 mil dá os mesmos R$ 20 que 0,20% sobre os R$ 10 mil excedentes. |
Com o imposto na conta o ponto se antecipa. A vantagem bruta do título público é tributada e encolhe para 82,5% do valor, a custódia continua inteira, e as duas curvas se encontram perto de R$ 17 mil aplicados. |
A leitura fica simples nos dois lados desse corte. Abaixo de R$ 17 mil o Tesouro Selic entrega mais líquido, porque a faixa isenta de custódia cobre a maior parte da aplicação. Acima disso o CDB de cem por cento do CDI passa à frente, e a distância cresce com o valor. |
A última linha da tabela muda o jogo inteiro. Uma LCI de 90% do CDI rende menos que todas as outras em taxa bruta e entrega o maior valor líquido da comparação, porque a isenção de imposto de renda vale mais que os dez pontos percentuais de CDI abrindo mão. |
A conclusão da matemática dispensa eleger um vencedor permanente. Percentual do CDI é uma promessa de taxa bruta, e a única grandeza comparável entre aplicações diferentes é o rendimento líquido em reais, depois de imposto, custódia e prazo. |
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