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O piso de 25% e o teto de 75% de Graham
Graham deu ao investidor defensivo uma faixa larga em ações, com 50% como padrão e nenhuma previsão de mercado exigida.
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Um pêndulo de latão entre dois pesos
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25%. Foi o piso de ações que Benjamin Graham fixou para o investidor defensivo em O Investidor Inteligente, livro publicado em 1949. O teto apareceu na mesma recomendação: 75%. Entre os dois números mora a faixa inteira de decisão que Graham entregou a quem investe sem acompanhar o mercado todos os dias. O ponto de partida dele era o meio exato. Metade do patrimônio em ações, metade em títulos de qualidade, com o ponteiro andando dentro da faixa conforme os preços ficassem convidativos ou salgados. O investidor defensivo, na definição do próprio Graham, quer resultado aceitável com pouco esforço e pouca aflição. Não estuda balanço trimestre a trimestre, não escolhe empresa a empresa e não aposta na hora certa de entrar. A faixa larga resolve um problema anterior a qualquer conta. Ninguém precisa saber onde o mercado vai parar para decidir quanto ter em ações, porque os limites já estão escritos muito antes de o susto chegar. Fora dela, a carteira muda de natureza. Abaixo de 25% em ações, o investidor entrega ao título e ao caixa a tarefa de vencer a inflação por décadas; acima de 75%, uma queda profunda alcança quase toda a poupança de uma vez só. Graham escreveu a regra em 1949 e a manteve na edição revisada de 1973, atravessando com ela o mercado altista dos anos 1950, o tombo de 1962 e a inflação americana do início dos anos 1970. A faixa também tem função psicológica declarada. Quem já sabe que nunca passará de 75% em ações não precisa decidir nada no meio de uma queda de 30%, e a decisão tomada em ano calmo vale mais que a tomada em semana ruim. A primeira parte da edição mostra quem é o investidor defensivo na definição de Graham, por que ele recebeu uma faixa e não um número exato, e o que cada ponta da faixa protege. Continue lendo ↓ |
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I O Princípio
O piso, o teto e o investidor defensivo
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Graham separou o público do livro em dois perfis logo nos primeiros capítulos. O defensivo busca segurança e ausência de trabalho; o empreendedor, nome que Graham deu a quem age com iniciativa, aceita dedicar tempo e estudo à seleção de papéis em troca de um retorno acima da média. | O defensivo não é o investidor tímido. Ele é o investidor com outra ocupação, uma profissão que consome o dia inteiro e nenhuma vontade de transformar a carteira num segundo emprego, condição que descreve a maioria absoluta de quem investe. | Para esse perfil, Graham recusou entregar um número exato. Um número exato exigiria saber se o mercado está caro ou barato agora, e essa é justamente a pergunta que o defensivo não tem tempo nem instrumento para responder. | | | A faixa entrega um limite de exposição antes do susto, e nenhum palpite sobre o rumo do mercado é cobrado do investidor para cumpri-la. |
| | | O piso de 25% existe por causa da inflação. Uma carteira quase toda em renda fixa perde poder de compra em qualquer período longo de preços em alta, e a fatia em ações funciona como a parcela do patrimônio que acompanha o crescimento das empresas. | O teto de 75% existe por causa do tombo. Quedas de 40% em índices amplos apareceram em 1929, 1973, 2000 e 2008, e quem carrega três quartos do patrimônio em bolsa recebe o golpe quase inteiro, sem colchão nenhum para reconstruir a posição depois. | O espaço entre o piso e o teto é a autonomia do investidor. Graham autorizou mover o peso dentro da faixa quando o mercado ficasse claramente caro ou claramente barato, e proibiu sair dela em qualquer circunstância. | O verbo importa aqui: mover, nunca abandonar. Um defensivo que acha a bolsa cara desce de 50% para 30%, continua exposto e continua colhendo dividendo, mas não zera a posição nem migra o patrimônio inteiro para o título. | Graham também definiu o que entra nesses 25% no mínimo. Ações de empresas grandes, financiadas de forma conservadora, com histórico longo de pagamento de dividendo, compradas em quantidade suficiente para diluir o risco de uma companhia específica quebrar. | O outro lado da faixa tem exigência igual. A parcela em renda fixa deveria ser de títulos de alta qualidade, com o governo americano no topo da lista dele, porque um título arriscado transforma a âncora da carteira numa segunda aposta. | O princípio atravessa o século. A faixa não promete o melhor retorno possível em nenhuma janela específica; ela promete que o investidor continuará no jogo depois do pior ano, com dinheiro suficiente para comprar quando todo mundo estiver vendendo. |
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II A Matemática
R$ 500 mil e três pontos da faixa
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O exercício parte de R$ 500.000 distribuídos em três configurações permitidas por Graham: o piso de 25% em ações, o padrão de 50% e o teto de 75%, com o restante em renda fixa de qualidade em cada caso. | A queda serve de teste primeiro. Uma retração de 40% na parcela em ações, magnitude vista em índices amplos nos grandes tombos do século passado, atinge cada carteira em proporção direta ao peso que ela carrega em bolsa. | | | | Peso em ações | Valor em ações | Após queda de 40% | Carteira total | Perda | | 25% | R$ 125.000 | R$ 75.000 | R$ 450.000 | 10% | | 50% | R$ 250.000 | R$ 150.000 | R$ 400.000 | 20% | | 75% | R$ 375.000 | R$ 225.000 | R$ 350.000 | 30% |
| Exercício didático com patrimônio de R$ 500.000, queda de 40% aplicada apenas sobre a parcela em ações e renda fixa considerada estável no período. Sem imposto, sem taxa de corretagem e sem aporte novo. Não é recomendação nem projeção de retorno. | | | R$ 500.000 com 75% em ações perdem R$ 150.000 numa queda de 40% do mercado, contra R$ 50.000 na carteira montada no piso de 25%. |
| | | A alta desenha o outro lado da mesma faixa. Com um avanço de 30% na parcela em ações, a carteira de 25% ganha R$ 37.500, a de 50% ganha R$ 75.000 e a de 75% ganha R$ 112.500, equivalentes a 7,5%, 15% e 22,5% sobre o patrimônio total. | | | Como regra fundamental, sugerimos que o investidor nunca tenha menos de 25% nem mais de 75% dos seus recursos em ações. Benjamin Graham, O Investidor Inteligente, 1949 |
| | | O tamanho da faixa tem uma leitura simples em risco. Ao andar do piso ao teto, o investidor triplica a exposição ao movimento do mercado, e o intervalo de resultado da carteira num mesmo ano abre de 10% para 30% na queda testada acima. | O tempo de recuperação completa o retrato. Uma carteira que perde 10% precisa de 11,1% de alta para voltar ao ponto de partida; a que perde 30% precisa de 42,9%, e essa assimetria explica por que Graham colocou um teto na exposição, sem deixar o investidor livre para chegar a 100%. | O piso tem custo próprio, medido em décadas. Com inflação de 4,5% ao ano, R$ 500.000 valem R$ 322.000 em poder de compra depois de dez anos, e é contra esse encolhimento silencioso que a fatia mínima de 25% em ações trabalha. | Graham nunca prometeu que o meio da faixa venceria as pontas. O 50/50 entrega menos que o teto em mercado de alta e perde mais que o piso em mercado de baixa, e sua virtude está em manter o investidor no mesmo lugar nos dois cenários, sem decisão nova a tomar. | A conta central da edição cabe numa linha. O peso em ações multiplica tanto o ganho quanto a perda do patrimônio pelo mesmo fator, e escolher o ponto dentro da faixa significa escolher com antecedência qual das duas multiplicações se aguenta melhor. | |
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