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O ano do Tesouro Educa+ que casa com a matrícula
Para quem entra na faculdade em 2038, o Educa+ 2038 paga 60 parcelas pelo IPCA do primeiro ao último ano do curso.
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O calendário escolar e o primeiro boleto
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60 parcelas mensais. É quanto o Tesouro Educa+ paga, cada uma corrigida pelo IPCA (o índice oficial de inflação, medido pelo IBGE), desde o dia 15 de janeiro do ano que o investidor escolhe na hora da compra. O título foi lançado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 em agosto de 2023, com um desenho diferente de quase tudo que existe na prateleira do Tesouro Direto. Durante a fase de acumulação, o dinheiro fica parado no título e rende. Quando o ano escolhido chega, o saldo vira uma mesada de cinco anos. Cinco anos cobrem a duração de boa parte dos cursos de graduação no país, e o próprio batismo do produto entrega a intenção: pagar a faculdade de alguém, mês a mês, com dinheiro guardado muito antes. Na tela da corretora, porém, os títulos aparecem como uma lista de anos com uma taxa ao lado de cada um. Educa+ 2030, 2035, 2038, 2042. As taxas mudam todo dia útil, e o olho do comprador faz o gesto de sempre diante de uma lista assim: procura a maior. É nesse clique que a compra começa a dar errado, e o erro só aparece muitos anos depois. A taxa mostrada é o ganho acima da inflação que o título entrega se for mantido até a última parcela. Ela não diz nada sobre a data em que o dinheiro vai cair na conta, e a mensalidade da faculdade tem data. Uma criança nascida em 2020 tende a fazer a matrícula no começo de 2038, aos 18 anos. O título que paga a primeira parcela em janeiro de 2038 encaixa na primeira mensalidade. O de 2035 começa a pagar três anos antes, quando ela ainda está no ensino médio; o de 2041 começa três anos depois, com o curso já no quarto ano. Nos dois casos desencaixados, a família recebe o dinheiro prometido. O defeito está na hora. Parcela adiantada cai na conta corrente e precisa ser reinvestida numa taxa desconhecida; parcela atrasada obriga a vender o título antes do prazo, pelo preço que o mercado pagar naquele dia. A primeira seção mostra como o Educa+ funciona por dentro e por que o calendário dele manda na escolha do vencimento. Continue lendo ↓ |
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I O Princípio
O título que vira mesada em janeiro
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| | O Tesouro Educa+ é um título público federal vendido no Tesouro Direto desde agosto de 2023, criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (a bolsa de valores brasileira) para financiar a educação do comprador ou de um filho. Ele tem duas fases, e cada uma segue regra própria. | A primeira fase é a acumulação. O investidor compra frações do título quando quiser, em valores pequenos, e cada compra fica travada na taxa daquele dia: IPCA mais um percentual fixo. O saldo não paga nada nesse período, apenas cresce. | A segunda fase é o pagamento. No dia 15 de janeiro do ano estampado no título, o saldo acumulado começa a ser devolvido em 60 parcelas mensais, cada uma reajustada pela inflação acumulada. Um Educa+ 2038 paga de janeiro de 2038 a dezembro de 2042, e depois da última parcela o título deixa de existir. | | | O ano estampado no título marca a primeira parcela, e a escolha inteira parte dele. |
| | | A correção pelo IPCA dá sentido ao produto. Mensalidade escolar é um preço reajustado ano após ano, e um fluxo de pagamentos que acompanha a inflação preserva o poder de compra da parcela quando ela finalmente chega. | | | No longo prazo, estaremos todos mortos. John Maynard Keynes, A Tract on Monetary Reform, 1923 |
| | | Keynes escreveu a frase contra economistas que prometiam equilíbrio num futuro indefinido. Para quem planeja a faculdade de um filho, o recado é mais prosaico: um investimento que só acerta no longo prazo não resolve a conta que vence em fevereiro de um ano específico. | A taxa exibida para cada vencimento vale para quem segura o título do dia da compra à última parcela. Quem vende antes recebe o preço de mercado do dia (a marcação a mercado, calculada pela taxa que os compradores pedem naquele momento), que pode ficar acima ou abaixo do contratado. | O título também não obriga a gastar com escola. O dinheiro cai na conta do titular, que decide o uso. A amarração com a educação existe no desenho do cronograma, e é esse desenho que o investidor precisa aproveitar. | O Imposto de Renda incide sobre o rendimento de cada parcela, pela tabela regressiva da renda fixa, que cobra 15% sobre o ganho em aplicações com mais de dois anos. Como o título costuma ser comprado com muitos anos de antecedência, quase todo o fluxo cai na alíquota mais baixa. | | | | | | |
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II A Matemática
Três vencimentos para a mesma matrícula
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| | A conta fica clara com uma família concreta. Uma criança nascida em 2020 faz a matrícula em fevereiro de 2038 e cursa uma graduação de cinco anos, até dezembro de 2042. A mensalidade estimada, em dinheiro de hoje, é de R$ 2.500. | Para cobrir as 60 mensalidades com o Educa+ 2038, supondo uma taxa hipotética de 6% ao ano acima da inflação, o saldo precisa somar cerca de R$ 129.800 em janeiro de 2038, sempre em reais de hoje e sem contar o imposto. | Trazido para 2026, com a mesma taxa durante 12 anos, esse saldo equivale a um aporte único de aproximadamente R$ 64.500. É o preço, em valores atuais, de travar a faculdade inteira com uma compra só. | | | | Título | Parcelas | Encaixe com 2038 | | Educa+ 2035 | jan/2035 a dez/2039 | 36 parcelas antes da matrícula | | Educa+ 2038 | jan/2038 a dez/2042 | 60 parcelas dentro do curso | | Educa+ 2041 | jan/2041 a dez/2045 | 3 anos de curso descobertos |
| Exercício didático com taxa hipotética de 6% ao ano acima do IPCA para os três títulos, sem Imposto de Renda nem taxa de custódia. As taxas reais de cada vencimento mudam todo dia útil no Tesouro Direto. | O Educa+ 2035 entrega as 60 parcelas entre 2035 e 2039. Delas, 36 caem na conta quando ainda não existe mensalidade para pagar, e os três últimos anos do curso, de 2040 a 2042, ficam sem cobertura. | As parcelas adiantadas precisam ser reinvestidas por conta própria, na taxa que existir em 2035, e ninguém consegue prever hoje qual será. O título comprado para eliminar incerteza devolve a incerteza de reinvestimento, justamente o risco que a família queria evitar. | | | Meio ponto de taxa a mais some quando o dinheiro chega três anos fora de hora. |
| | | O Educa+ 2041 erra para o lado oposto. As parcelas começam em janeiro de 2041, quando o estudante já está no quarto ano. Para pagar as mensalidades de 2038 a 2040, a família precisa vender parte do título antes do calendário, pelo preço de mercado. | A venda antecipada tem um custo mensurável. Cada R$ 100 que o título pagaria em 2041, trazidos para 2038 a 6% ao ano, valem R$ 84. Se a taxa de mercado em 2038 estiver em 8% ao ano, os mesmos R$ 100 valem R$ 79 no dia da venda. | O vencimento encaixado na matrícula é o único dos três em que a taxa contratada na compra vira a taxa efetivamente recebida, parcela por parcela, sem depender do mercado de 2035 ou de 2038. | |
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