41%. Foi quanto o fundo Oppenheimer Transition 2010 perdeu em 2008, um ano em que o índice S&P 500, das 500 maiores empresas americanas, caiu 37%. O fundo tinha sido feito para um tipo específico de pessoa: alguém que pararia de trabalhar em 2010, dois anos depois do tombo. O número no nome era a data da aposentadoria. Nos Estados Unidos, esses produtos se chamam fundos target-date (data-alvo). A promessa vem embutida no rótulo: o gestor começa com muitas ações quando o dono é jovem e troca ações por títulos conforme a data chega. Quem comprava um fundo 2010 em 2007 esperava, portanto, a carteira mais calma da prateleira. Faltavam três anos para o primeiro saque, e a lógica do produto dizia que o risco já devia estar quase todo fora. A OppenheimerFunds, gestora de Nova York, vendia a família Transition para planos 401(k) (a previdência que o empregador oferece com desconto em folha). Muitos participantes caíam nela sem escolher: era a opção padrão do plano. O tombo apareceu nos extratos do começo de 2009. Uma pessoa com 500 mil dólares no fundo em janeiro de 2008 chegou a dezembro com cerca de 295 mil. Os 205 mil que sumiram correspondiam, para essa pessoa, a anos de renda planejada. E a data no nome do fundo não mudou: 2010 continuava a dois anos de distância. O caso foi parar no Congresso americano. Em 2009, o Comitê Especial do Envelhecimento do Senado, presidido pelo senador Herb Kohl, investigou os fundos de data-alvo, e o da Oppenheimer virou um dos exemplos mais citados. Em junho daquele ano, a SEC (a comissão que regula o mercado de capitais americano) e o Departamento do Trabalho fizeram uma audiência conjunta sobre o tema. A pergunta das duas agências era simples: o que exatamente o nome de um fundo promete? A resposta estava em duas peças da carteira que o rótulo não mostrava: quanto havia em bolsa e o que havia dentro dos títulos. Continue lendo ↓ |