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I O Princípio
A caneta que recolheu o ouro
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Franklin Delano Roosevelt tomou posse como presidente dos Estados Unidos em 4 de março de 1933, com os bancos de 38 estados fechados ou operando com saque limitado. |
No segundo dia de mandato, ele decretou feriado bancário nacional. No dia 9, o Congresso aprovou o Emergency Banking Act (a lei bancária de emergência), que deu ao presidente poder sobre o ouro, a prata e o câmbio do país. |
A base jurídica era antiga. A lei de comércio com o inimigo, de 1917, criada para a Primeira Guerra, permitia ao presidente controlar o ouro em tempo de guerra; a lei de 1933 estendeu esse poder a qualquer emergência declarada por ele. |
A Ordem Executiva 6102 saiu menos de um mês depois. Ela não tomava o ouro de graça: obrigava a venda ao governo, pelo preço que o próprio governo definia. |
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O cidadão recebeu cada dólar prometido pela onça entregue; quem decidiu quanto valeria o dólar foi o comprador. | | | |
A aplicação foi seletiva. O caso mais conhecido foi o do advogado nova-iorquino Frederick Barber Campbell, que tinha mais de 5.000 onças guardadas no Chase National Bank e pediu o metal de volta em 1933. |
O banco recusou, Campbell processou o banco, e o governo processou Campbell. O processo criminal acabou arquivado por uma falha técnica na forma da ordem, e o ouro dele foi recolhido mesmo assim. |
O governo corrigiu a falha em agosto de 1933, com uma ordem nova que exigia declaração de todo ouro mantido no país. Em 1934, o Gold Reserve Act (a lei da reserva de ouro) passou a propriedade do metal do Federal Reserve ao Tesouro. |
Faltava apagar a última promessa. Contratos, títulos públicos e hipotecas traziam a cláusula-ouro, que garantia ao credor receber em ouro ou no valor equivalente em ouro. |
Em 5 de junho de 1933, uma resolução do Congresso declarou essas cláusulas contrárias ao interesse público. Todo contrato podia ser pago em dólar de papel, um dólar por dólar. |
Os credores foram à Justiça. Em fevereiro de 1935, a Suprema Corte julgou os chamados Gold Clause Cases (os casos da cláusula-ouro) e decidiu por 5 votos a 4. |
No caso Perry contra Estados Unidos, os juízes disseram que o governo não podia anular a promessa dos próprios títulos. Disseram também que o credor não tinha prejuízo a cobrar, porque o dólar ainda comprava o mesmo dentro do país. |
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II A Matemática
A conta da onça de 31 gramas
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A conta começa por uma família com 1.000 dólares em moedas de ouro em abril de 1933. Ao preço de 20,67 dólares, as moedas somavam 48,4 onças. |
A família obedeceu e trocou as moedas por 1.000 dólares em notas. Em fevereiro de 1934, esses 1.000 dólares compravam 28,6 onças ao preço novo, 41% menos metal. |
O vizinho que ficou com as moedas fora da lei tinha as mesmas 48,4 onças. Ao preço novo, elas valiam 1.693 dólares, mas ele não podia vender sem confessar o crime. |
A tabela mostra o que cada forma de guardar 1.000 dólares de abril de 1933 valia em ouro depois da proclamação de 1934. |
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| Como guardava | Em abril de 1933 | Em fevereiro de 1934 |
| Moeda entregue | 48,4 onças | 28,6 onças |
| Moeda escondida | 48,4 onças | 48,4 onças |
| Nota de dólar | 48,4 onças | 28,6 onças |
| Título com cláusula-ouro | 48,4 onças | 28,6 onças | |
Conta ilustrativa: 1.000 dólares por linha, onça de 31,1 gramas, preço oficial de 20,67 dólares em 1933 e de 35 dólares em 1934. |
Três das 4 linhas terminam iguais. A entrega, a nota no colchão e o título com promessa de ouro deram o mesmo resultado, porque os 3 eram promessas em dólar. |
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O dono do ouro perdeu 41% do metal sem que ninguém tocasse no cofre. | | | |
O Tesouro ficou com a diferença. A reavaliação das reservas a 35 dólares gerou um lucro contábil de cerca de 2,8 bilhões de dólares, e a lei de 1934 separou 2 bilhões para criar o Exchange Stabilization Fund (o fundo de estabilização do câmbio). |
O dólar mais barato tinha um objetivo. O governo queria que o preço das mercadorias americanas subisse e que as dívidas de fazendeiros e empresas pesassem menos, e a desvalorização entregou parte dos dois resultados. |
A conta tinha quem pagasse. O credor que tinha emprestado em dólar-ouro recebeu em dólar de papel, e o poupador que confiou na nota guardou um dinheiro que comprava menos ouro e, com os anos, menos produto importado. |
A proibição durou muito tempo. O americano ficou impedido de ter ouro em barra e em moeda comum por 41 anos, até 31 de dezembro de 1974, quando uma lei assinada pelo presidente Gerald Ford liberou a posse. |
Nesse intervalo, o preço de 35 dólares caiu também. Em agosto de 1971, Richard Nixon fechou a janela em que governos estrangeiros trocavam dólar por ouro, e o metal passou a flutuar no mercado. | |
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