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Amortizar a casa rende 12,2% sem imposto

Com dívida de 10,5% mais TR, o CDB só vence a amortização se pagar acima de 14,3% ao ano antes do IR.

Chave de casa sobre um contrato de financiamento e uma calculadora

Amortizar ou investir: a conta da taxa de corte

▼

R$ 50 mil. É a sobra que muita família com financiamento imobiliário junta em alguns anos de bônus, décimo terceiro e restituição do Imposto de Renda, e que fica parada na conta à espera de uma decisão.

A decisão costuma vir por impulso. Uma parte das famílias corre ao banco para abater a dívida, porque dever incomoda. A outra aplica tudo num CDB (Certificado de Depósito Bancário, o empréstimo que você faz ao banco em troca de juro), porque a taxa anunciada parece alta.

Os dois grupos decidem pelo estômago. Nenhum deles fez a conta que resolve a questão em três linhas.

Amortizar (pagar parte do saldo devedor antes do prazo) é, na prática, um investimento. Cada real que sai da conta para abater a dívida deixa de pagar os juros do contrato até o último mês, e o juro que você deixa de pagar vale exatamente como juro que você recebe.

Esse investimento tem três propriedades raras. Rende a taxa do contrato com certeza, não paga Imposto de Renda e não depende de banco, governo ou mercado honrarem nada.

O CDB e o Tesouro Direto entregam outra combinação. A taxa pode até ser maior no anúncio, mas o Imposto de Renda morde de 15% a 22,5% do rendimento, conforme o prazo, antes de o dinheiro chegar ao seu bolso.

Comparar a taxa bruta do CDB com a taxa da dívida é comparar um salário antes do desconto com outro já líquido. A conta honesta exige trazer os dois retornos para o mesmo chão.

Existe um número que separa as duas escolhas, a taxa de corte. Abaixo dela, amortizar vence; acima dela, investir vence. Ela muda conforme o contrato, o prazo da aplicação e a isenção do papel.

Antes da conta, vale entender a peça que torna o juro de um financiamento brasileiro diferente de qualquer outro: o indexador criado num pacote econômico de 1991, que corre dentro de quase todo contrato da casa própria até hoje.

A seção I conta de onde ele veio e quanto pesa na sua parcela.

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The Company America’s Cattle Industry Needs Right Now

The U.S. cattle herd has fallen to 86.2 million head. 

That's the lowest level since 1951. And the problem isn't going away, plus ranchers face rising costs and a tightening labor market. 

Yet America still needs to produce beef. 

The equation is simple: Get more from every animal. 

DIT AgTech helps ranchers produce more with less through AI, nutrition automation and real-time data. Its infrastructure boosts herd performance while reducing labor and costs. 

Proven at scale in Australia: 

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  • Up to 80% reduction in supplementation and labor costs 

What drives adoption? Ranchers get the technology free with a three-year nutrition plan. 

Removing the cost barrier allows DIT AgTech to scale adoption faster, generating more data and recurring revenue 

America needs more output from fewer cattle. DIT AgTech has built the infrastructure to make that possible.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

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I  O Princípio

A taxa que nasceu num pacote de 1991

 
 

A Taxa Referencial, a TR, nasceu com o Plano Collor II, pacote econômico anunciado pelo governo Fernando Collor no começo de 1991. A Lei 8.177, de 1º de março daquele ano, criou o índice para substituir as correções que o país usava contra a inflação.

O Banco Central calcula a TR até hoje, a partir dos juros pagos pelos títulos públicos e pelos grandes bancos. Ela corrige a poupança, o FGTS e o saldo devedor da maioria dos financiamentos imobiliários do Sistema Financeiro da Habitação.

Por esse caminho, o contrato da casa própria tem duas camadas de custo. A primeira é a TR, que atualiza o saldo devedor todo mês. A segunda é o juro nominal fixo, escrito no contrato, cobrado sobre esse saldo atualizado.

Um contrato de 10,5% ao ano mais TR, portanto, não custa 10,5%. Com TR de 1,5% ao ano, o custo efetivo é 1,105 vezes 1,015, menos 1, o que dá 12,16% ao ano.

A TR já ficou zerada por anos seguidos, entre 2017 e 2021, quando a Selic caiu para a mínima histórica. Nesses períodos, a dívida custou só o juro nominal. Quando a Selic sobe, a TR volta a pesar e o custo do contrato sobe junto.

Por cima das duas camadas ainda entram os seguros obrigatórios. O MIP (Morte e Invalidez Permanente) e o DFI (Danos Físicos ao Imóvel) vêm somados à parcela e elevam o CET (Custo Efetivo Total, a taxa que soma juro, seguro e tarifa) acima do juro do contrato.

Amortizar reduz o saldo devedor, e com ele os juros, a TR e, em boa parte dos contratos, o seguro MIP calculado sobre esse saldo. Tudo o que a dívida cobraria sobre aquele real some no mesmo dia.

 

O juro que você deixa de pagar entra no bolso inteiro, sem imposto e sem risco de crédito.

 

O Código de Defesa do Consumidor garante a vantagem. O artigo 52, no parágrafo 2º, assegura ao devedor a liquidação antecipada do débito, total ou parcial, com redução proporcional dos juros.

O banco oferece duas formas de abater. Reduzir o prazo mantém a parcela e corta meses do fim do contrato. Reduzir a parcela mantém o prazo e alivia o orçamento mensal.

Reduzir o prazo economiza mais juros no total, porque elimina justamente as parcelas mais distantes, que carregariam juros por mais tempo. Reduzir a parcela libera caixa todo mês, que pode ir para outra aplicação.

O retorno do real amortizado, nas duas formas, é a taxa efetiva do contrato. O que muda é o momento em que a economia aparece: nas últimas parcelas ou em cada boleto.

 
 
 
 

II  A Matemática

Onde o CDB empata com a dívida

 
 

A conta usa um contrato de 10,5% ao ano mais TR, com TR de 1,5% ao ano. É uma hipótese redonda para enxergar o mecanismo; troque pelos números do seu contrato.

O custo efetivo, como a seção I mostrou, é de 12,16% ao ano. Esse é o retorno líquido e isento de cada real usado para amortizar.

O CDB precisa entregar 12,16% depois do Imposto de Renda. A tabela regressiva cobra 22,5% sobre o rendimento até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima de dois anos.

A taxa de corte sai de uma divisão. Divida a taxa da dívida por 1 menos a alíquota do IR. Para aplicação acima de dois anos: 12,16 dividido por 0,85 dá 14,31% ao ano.

Na faixa de um a dois anos, a alíquota sobe para 17,5% e o corte vai a 14,74% ao ano. Em até um ano, com 20%, chega a 15,20%.

 
Destino de R$ 50 milRetorno líquidoGanho no 1º ano
Amortizar a dívida12,16% isentoR$ 6.080
CDB de 13%, IR 15%11,05%R$ 5.525
LCI de 12,5%, isenta12,50%R$ 6.250

Conta ilustrativa: dívida de 10,5% ao ano mais TR de 1,5%, aplicação acima de dois anos, sem custo de seguro.

O CDB de 13% parece vencer a dívida de 10,5% no anúncio. Depois do IR, rende 11,05% e perde R$ 555 no primeiro ano para a amortização.

A LCI (Letra de Crédito Imobiliário, papel de banco isento de IR para pessoa física) muda a conta. Sem imposto, ela vence a amortização já com 12,16%, e o exemplo de 12,5% ganha R$ 170 no ano.

 

A taxa que importa é a líquida; a do anúncio serve só para começar a conta.

 

O Tesouro IPCA+ entra pelo mesmo caminho. Some a inflação esperada ao juro real, desconte o IR do prazo e compare o líquido com os 12,16%. Um IPCA+ de 7% com inflação de 4% rende cerca de 11,3% bruto, e 9,6% líquido acima de dois anos.

A conta ainda favorece a amortização em dois pontos que a tabela não mostra. O seguro MIP cai junto com o saldo, e o risco do CDB acima do limite de R$ 250 mil do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) não existe na dívida abatida.

Ela favorece o investimento em um ponto decisivo: a liquidez. O real amortizado não volta. Se o emprego cair ou a obra estourar, o banco não devolve o saldo abatido.

 

“Neither a borrower nor a lender be.” (Não sejas nem devedor nem credor.) William Shakespeare, Hamlet, 1603.

 

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III  A Aplicação

A dívida dentro da carteira

 
 

A conta da seção II responde à pergunta da taxa. A pergunta da alocação vem depois: quanto do patrimônio deve ficar preso num ativo que rende 12,16% e não tem resgate.

Amortizar é comprar renda fixa isenta e ilíquida. A dívida imobiliária funciona como uma posição negativa de renda fixa, e cada real abatido aumenta o peso líquido da sua carteira em renda fixa.

Uma família com R$ 200 mil investidos e R$ 300 mil de dívida tem, em termos líquidos, uma posição vendida em renda fixa. Abater a dívida desfaz essa posição, sem mexer nas ações e nos fundos imobiliários.

A decisão, portanto, pertence ao peso das classes. Se a carteira já está com a fatia de renda fixa no alvo, amortizar desloca o patrimônio para um ativo que não oscila, mas que também não volta para o caixa.

A reserva de emergência fica fora da conta. Seis meses de despesas em aplicação de liquidez diária vêm antes de qualquer amortização, porque o banco não aceita o saldo abatido como garantia de nada.

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) é o caso mais fácil. Ele rende 3% ao ano mais TR, abaixo dos 12,16% do contrato, e a lei permite usar o saldo para amortizar o financiamento do SFH a cada dois anos.

O passo a passo para decidir com números:

1

Pegue o contrato e anote o juro nominal anual e o indexador do saldo devedor, quase sempre a TR.

2

Calcule a taxa efetiva: multiplique 1 mais o juro por 1 mais a TR dos últimos 12 meses e subtraia 1.

3

Divida essa taxa por 0,85 para achar o corte do CDB acima de dois anos; para LCI e LCA isentas, o corte é a própria taxa.

4

Confirme que a reserva de emergência cobre seis meses de despesas antes de mandar qualquer real ao banco.

5

Use o FGTS primeiro, depois a sobra que excede o peso de renda fixa definido para a carteira.

 

Quem tem dívida de 8% mais TR e acesso a LCI de 12% faz a conta ao contrário: investir vence por larga margem, e amortizar só faz sentido pelo sossego.

14,31% ao ano. Foi a taxa bruta que um CDB acima de dois anos precisaria pagar para empatar com a amortização de uma dívida de 10,5% mais TR (conta ilustrativa desta edição).

“Se você somasse a dívida da casa à sua carteira, qual seria o peso real da sua renda fixa hoje?”

 
 
Quiz da edição

No exemplo da edição, com a dívida custando 12,16% ao ano isenta de imposto, que taxa bruta o CDB precisa pagar para empatar, numa aplicação acima de dois anos?

A12,16% ao ano
B10,5% ao ano
C14,31% ao ano
D15,20% ao ano

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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