4,3% ao ano, descontada a inflação. Foi a valorização real das ações americanas entre 1921 e 1996, medida por Philippe Jorion, da Universidade da Califórnia em Irvine, e William Goetzmann, da Universidade Yale. O número saiu em junho de 1999 no The Journal of Finance, a revista da Associação Americana de Finanças, num artigo chamado “Global Stock Markets in the Twentieth Century” (as bolsas do mundo no século 20). Até ali, quase todo manual de investimento usava uma fonte só: a série histórica da bolsa de Nova York. Dela saía a promessa repetida em palestra e em folheto de corretora, a de que ação, no longo prazo, sempre ganha. Jorion e Goetzmann desconfiaram da amostra. Os Estados Unidos chegaram a 1996 como a maior economia do planeta, sem guerra no próprio território, sem revolução e sem bolsa fechada por decreto. Medir o século só por lá equivalia a julgar a loteria pelo bilhete premiado. Os dois resolveram olhar os outros bilhetes. Jorion era professor de finanças, conhecido pelos estudos de risco de mercado; Goetzmann dirigia em Yale um centro dedicado à história das finanças. A dupla juntou o olho do estatístico ao do arquivista, e o trabalho levou anos de garimpo em papel velho. Foram atrás de 39 bolsas, de países ricos e pobres, com dados de preço desde 1921. Buscaram os anuários estatísticos da Liga das Nações, as séries do Fundo Monetário Internacional e boletins das próprias bolsas. Para cada país, montaram um índice de preços das ações corrigido pela inflação local, ano a ano, até 1996. Depois compararam as 39 trajetórias. O resultado desmontou a promessa. A mediana da valorização real nas outras 38 bolsas ficou em 0,8% ao ano, e os Estados Unidos tiveram a maior alta real entre os mercados que funcionaram sem interrupção. Vários países nem chegaram ao fim da série. Guerras, confiscos e revoluções fecharam pregões por anos, e alguns não reabriram dentro do período estudado. O Princípio mostra por que olhar só para quem sobreviveu engana o investidor. Continue lendo ↓ |