5.166 pontos. Foi onde o Índice Composto de Xangai, o principal termômetro da bolsa chinesa, fechou no dia 12 de junho de 2015, o maior nível desde 2008. Doze meses antes, o mesmo índice rondava os 2.050 pontos. A alta de cerca de 150% em doze meses atraiu milhões de chineses que nunca tinham comprado uma ação, muitos deles com dinheiro emprestado pela corretora. Pense numa professora de Chengdu com 200.000 yuans (a moeda chinesa) aplicados em ações de pequenas empresas de tecnologia. Na primeira semana de julho, a carteira já tinha perdido um terço do valor, e a corretora cobrava dinheiro novo para cobrir o empréstimo que ela usara na compra. Ela abriu o aplicativo para vender e encontrou metade das ações sem negociação. Os papéis não caíam nem subiam: estavam parados, com a cotação da semana anterior congelada na tela. As próprias empresas tinham pedido a suspensão. As bolsas de Xangai e Shenzhen deixavam uma companhia interromper a negociação das ações alegando um anúncio importante a caminho, sem prazo curto para voltar ao pregão. No dia 8 de julho de 2015, com o índice cerca de 30% abaixo do pico, perto de 1.400 empresas estavam fora do pregão, quase metade das listadas no país, segundo a contagem da agência Bloomberg daquele dia. Para a professora, a conta ficou torta. A parte suspensa seguia valendo no extrato, pelo último preço. A parte negociável era a única que ela conseguia transformar em dinheiro para pagar a corretora, e saiu vendida no pior momento do ano. Ela tinha uma carteira de ações. No dia em que precisou do dinheiro, tinha acesso a metade dela. A seção I mostra por que a liquidez, a capacidade de um investimento virar dinheiro na hora, é a qualidade mais fácil de esquecer e a primeira a sumir. Continue lendo ↓ |