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Tel Aviv fechou a bolsa 18 dias pelas ações de banco

Os bancos de Israel compravam as próprias ações para segurar o preço, e o público as guardava como poupança.

Pregão da bolsa de Tel Aviv fechado em 1983

Tel Aviv, 1983: 18 dias sem pregão

▼

18 dias. Foi o tempo em que a bolsa de Tel Aviv ficou sem pregão a partir da quinta-feira 6 de outubro, em 1983, a parada mais longa da história do mercado israelense.

Israel vivia com inflação acima de 100% ao ano. O dinheiro parado na conta derretia em semanas, e a família de classe média procurava onde guardar o salário sem ver o valor sumir até o mês seguinte.

Imagine um funcionário público de Haifa entrando na agência do banco para pedir conselho. O gerente tinha uma resposta pronta: ações do próprio banco. Subiam todo mês acima da inflação, nunca caíam e podiam ser vendidas a qualquer hora, na mesma mesa.

O funcionário comprou. Os vizinhos também. Ações de banco viraram a aplicação de quem não entendia de ações, presente de casamento, reserva para a faculdade dos filhos.

O banco também lucrava com a confiança. Cada cliente que trocava a caderneta por ações deixava o dinheiro dentro da mesma casa, e o gerente ganhava pontos por cada venda feita no balcão.

O gráfico confirmava a promessa. Durante anos, a cotação dos grandes bancos desenhou uma linha quase reta para cima, sem os solavancos de qualquer outro papel da bolsa.

No começo de outubro, a linha tremeu. Correntistas começaram a vender ações de banco para comprar dólares, com medo de uma desvalorização forte da moeda israelense, o shekel. As ordens de venda chegaram aos milhares, e os bancos, os maiores compradores das próprias ações, pararam de comprar.

Os jornais de Tel Aviv passaram a semana contando a fila nas agências.

Naquela quinta-feira, o governo fechou a bolsa. O funcionário de Haifa tinha um extrato com ações valendo o preço da véspera e nenhum lugar onde vender.

A seção I mostra o mecanismo por trás da linha reta, e por que uma ação sem queda é o sinal mais claro de um preço fabricado.

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I  O Princípio

Um preço sustentado pelo vendedor

 
 

A resposta de ontem

Quantos pregões durou o freio chinês de janeiro de 2016?

Quatro pregões. A CSRC estreou o circuit breaker (parada automática de todo o pregão) em 4 de janeiro de 2016; ele parou a bolsa naquele dia e de novo em 7 de janeiro, quando a negociação durou cerca de 30 minutos. Na noite de 7 de janeiro, a CSRC suspendeu o mecanismo, que nunca mais voltou.

Os protagonistas eram os maiores bancos do país: Banco Leumi, Banco Hapoalim, Israel Discount Bank, United Mizrahi Bank e Banco Igud. Juntos, guardavam quase todo o dinheiro dos israelenses e tinham ações listadas na bolsa de Tel Aviv.

A prática tinha apelido em hebraico, vissut (regulação, ou ajuste do preço). Cada banco operava na bolsa comprando as próprias ações sempre que a cotação ameaçava cair, e assim garantia a alta mês após mês.

O dinheiro para as compras vinha de empresas ligadas aos bancos, muitas delas registradas fora de Israel, que tomavam empréstimos em dólar. Os bancos também vendiam as próprias ações aos clientes na agência, com o gerente apresentando o papel como depósito seguro.

O resultado foi um círculo. O banco emitia ações novas, o cliente comprava, o preço subia, o banco recomprava o que sobrava, e a próxima emissão saía ainda mais cara. As ações de banco chegaram a responder pela maior fatia do valor de toda a bolsa de Tel Aviv.

Para o cliente, a conta parecia perfeita. A ação rendia acima da inflação, como um título indexado, e podia ser vendida na hora, como dinheiro na conta. Um ativo de risco com cara de depósito garantido.

O Banco de Israel, o banco central do país, conhecia a prática. O Ministério das Finanças também. Nenhum dos dois freou o esquema enquanto o público continuava comprando.

Uma cotação de mercado nasce do encontro entre quem quer vender e quem quer comprar. No vissut, o comprador final era sempre o próprio emissor da ação, e o preço passava a medir só a disposição do banco de seguir comprando.

Enquanto entrava dinheiro novo de clientes, a conta fechava. Bastou a fila de vendedores crescer mais rápido que o caixa disponível para recompra, e o mecanismo travou de uma vez.

 

Uma ação garantida pelo próprio emissor vale o caixa do emissor, nunca o lucro da empresa.

 

Warren Buffett descreveu esse tipo de momento numa carta aos acionistas:

 

“Só quando a maré baixa você descobre quem estava nadando nu.” Warren Buffett, carta aos acionistas da Berkshire Hathaway, 2001.

 

Em Israel, a maré baixou numa semana. Os bancos esgotaram a capacidade de recompra, as ações perderam o único comprador que tinham, e o governo fechou o pregão para impedir uma queda livre.

Na mesma semana, vazou um plano do ministro das Finanças, Yoram Aridor, de atrelar a economia israelense ao dólar. A notícia acelerou a corrida para a moeda americana, e Aridor deixou o cargo dias depois.

 
 
 
 

II  A Matemática

A conta de uma alta sem lucro

 
 

Uma conta ilustrativa mostra por que o esquema precisava de dinheiro novo para sobreviver. Tome uma ação de banco a 100 shekels, subindo 1% ao mês acima da inflação, todo mês, sem falhar.

Em 12 meses, o ganho real é de 12,7%, porque 1,01 multiplicado doze vezes dá 1,127. Em 5 anos, a mesma regra leva a ação a 181,7 shekels em dinheiro de hoje, uma alta real de 81,7%.

Agora compare com o lucro. Um banco que lucra 10 em cada 100 de patrimônio e reinveste tudo cresce cerca de 10% ao ano. Em 5 anos, o patrimônio por ação vai de 100 para 161.

 
PrazoPreço da açãoPatrimônio por ação
Início100100
1 ano112,7110
3 anos143,1133,1
5 anos181,7161,1

Conta ilustrativa: alta real de 1% ao mês no preço, 10% ao ano no patrimônio.

A distância entre as duas colunas não sai do lucro. Ela sai da recompra. Cada shekel de preço acima do patrimônio precisa de alguém disposto a pagar mais do que a empresa vale, e no vissut esse alguém era o próprio banco.

O peso cresce em espiral. Quanto mais caro o papel, mais caixa o banco precisa gastar para comprar a mesma quantidade de ações vendidas. Se o cliente vende 1.000 ações a 100 shekels, a recompra custa 100.000. Com a ação a 181,7, a mesma venda custa 181.700.

Os bancos israelenses resolviam a espiral com mais dívida em dólar e mais emissões de ações. A cada rodada, o esquema ficava maior e mais dependente de que ninguém quisesse sair ao mesmo tempo.

A segunda parte da conta chega no pânico. Suponha um banco com 50 milhões de shekels de caixa reservado para recompra e ações a 180 shekels. Ele aguenta a venda de cerca de 278.000 ações.

Se 1 em cada 10 acionistas resolve vender no mesmo dia, e há 5 milhões de ações nas mãos do público, a fila chega a 500.000 ações. O banco precisaria de 90 milhões. Faltam 40 milhões, e a ação fica sem comprador.

 

Um preço sustentado por recompra aguenta a venda de poucos e quebra na venda de muitos.

 

Naquele outubro israelense, a fila foi maior que qualquer reserva. Quando o pregão reabriu, as ações de banco caíram com força, e o governo assumiu a garantia do valor delas.

O acordo, conhecido em Israel como o arranjo das ações bancárias, prometeu ao acionista que segurasse os papéis até 1988 receber o valor em dólar da cotação anterior à crise. O Tesouro israelense pagou a conta, e os quatro maiores bancos passaram ao controle do Estado.

 

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The Mineral Everyone Forgets Until Their Driveway Freezes Over

Most people couldn't tell you what scandium is for, but everyone knows what happens when roads go unsalted. North America keeps running short, and Atlas Salt (TSXV: SALT) is building a shovel-ready mine in Newfoundland, three days by ship from Boston, with C$188 million in projected yearly free cash flow.

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III  A Aplicação

Quem garante o preço da sua ação

 
 

O investidor brasileiro encontra versões menores do mesmo desenho. Produto vendido na agência como se fosse depósito, com rentabilidade sempre positiva no extrato, merece a pergunta sobre quem compra o papel no dia em que todos quiserem sair.

A recompra de ações em si é legal e comum. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) permite que uma empresa recompre as próprias ações dentro de limites e com anúncio público do programa. O problema israelense era outro: recompra secreta, contínua e financiada com dívida, para fabricar uma linha reta.

Quatro sinais ajudam a separar um ativo de mercado de um preço sustentado:

1

1. Confira se o preço já caiu algum mês nos últimos anos; ativo de risco sem nenhuma queda pede investigação.

2

2. Descubra quem vende o produto e quem compra de volta; se for a mesma instituição, a liquidez depende do caixa dela.

3

3. Compare a alta do preço com a alta do lucro ou do patrimônio no mesmo período; distância grande e crescente pede cautela.

4

4. Leia no regulamento ou no prospecto se existe garantia de recompra, e por quem ela é dada.

 

Ação de banco é ação. O dono participa do lucro e do prejuízo, e o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, cobre depósitos como poupança e CDB até R$ 250.000 por CPF e por instituição, nunca a ação do banco.

 

A cor da linha no extrato diz o que o vendedor quer mostrar; o risco mora em quem compra de volta.

 

Na prática da carteira, ação de banco entra na fatia de renda variável, ao lado das outras empresas da bolsa, e nunca na reserva de emergência.

O funcionário de Haifa só recuperou o dinheiro porque o Estado decidiu pagar. A conta foi dividida entre todos os contribuintes israelenses, inclusive os que nunca tinham comprado uma ação de banco.

Em 1985, o governo nomeou uma comissão de inquérito para apurar a responsabilidade de banqueiros e autoridades. O relatório saiu no ano seguinte e chegou aos nomes dos presidentes dos maiores bancos.

18 dias sem pregão na bolsa de Tel Aviv, a partir de 6 de outubro, em 1983. Foi quanto durou o silêncio do mercado israelense, segundo a Bolsa de Valores de Tel Aviv.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

O que a comissão de inquérito exigiu dos presidentes dos bancos em 1986?

 
 
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Quantos dias a bolsa de Tel Aviv ficou sem pregão a partir de outubro de 1983?

A7 dias
B18 dias
C25 dias
D12 dias

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