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I O Princípio
Um preço sustentado pelo vendedor
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A resposta de ontem Quantos pregões durou o freio chinês de janeiro de 2016? Quatro pregões. A CSRC estreou o circuit breaker (parada automática de todo o pregão) em 4 de janeiro de 2016; ele parou a bolsa naquele dia e de novo em 7 de janeiro, quando a negociação durou cerca de 30 minutos. Na noite de 7 de janeiro, a CSRC suspendeu o mecanismo, que nunca mais voltou. |
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Os protagonistas eram os maiores bancos do país: Banco Leumi, Banco Hapoalim, Israel Discount Bank, United Mizrahi Bank e Banco Igud. Juntos, guardavam quase todo o dinheiro dos israelenses e tinham ações listadas na bolsa de Tel Aviv. |
A prática tinha apelido em hebraico, vissut (regulação, ou ajuste do preço). Cada banco operava na bolsa comprando as próprias ações sempre que a cotação ameaçava cair, e assim garantia a alta mês após mês. |
O dinheiro para as compras vinha de empresas ligadas aos bancos, muitas delas registradas fora de Israel, que tomavam empréstimos em dólar. Os bancos também vendiam as próprias ações aos clientes na agência, com o gerente apresentando o papel como depósito seguro. |
O resultado foi um círculo. O banco emitia ações novas, o cliente comprava, o preço subia, o banco recomprava o que sobrava, e a próxima emissão saía ainda mais cara. As ações de banco chegaram a responder pela maior fatia do valor de toda a bolsa de Tel Aviv. |
Para o cliente, a conta parecia perfeita. A ação rendia acima da inflação, como um título indexado, e podia ser vendida na hora, como dinheiro na conta. Um ativo de risco com cara de depósito garantido. |
O Banco de Israel, o banco central do país, conhecia a prática. O Ministério das Finanças também. Nenhum dos dois freou o esquema enquanto o público continuava comprando. |
Uma cotação de mercado nasce do encontro entre quem quer vender e quem quer comprar. No vissut, o comprador final era sempre o próprio emissor da ação, e o preço passava a medir só a disposição do banco de seguir comprando. |
Enquanto entrava dinheiro novo de clientes, a conta fechava. Bastou a fila de vendedores crescer mais rápido que o caixa disponível para recompra, e o mecanismo travou de uma vez. |
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Uma ação garantida pelo próprio emissor vale o caixa do emissor, nunca o lucro da empresa. | | | |
Warren Buffett descreveu esse tipo de momento numa carta aos acionistas: |
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“Só quando a maré baixa você descobre quem estava nadando nu.” Warren Buffett, carta aos acionistas da Berkshire Hathaway, 2001. | | | |
Em Israel, a maré baixou numa semana. Os bancos esgotaram a capacidade de recompra, as ações perderam o único comprador que tinham, e o governo fechou o pregão para impedir uma queda livre. |
Na mesma semana, vazou um plano do ministro das Finanças, Yoram Aridor, de atrelar a economia israelense ao dólar. A notícia acelerou a corrida para a moeda americana, e Aridor deixou o cargo dias depois. |
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II A Matemática
A conta de uma alta sem lucro
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Uma conta ilustrativa mostra por que o esquema precisava de dinheiro novo para sobreviver. Tome uma ação de banco a 100 shekels, subindo 1% ao mês acima da inflação, todo mês, sem falhar. |
Em 12 meses, o ganho real é de 12,7%, porque 1,01 multiplicado doze vezes dá 1,127. Em 5 anos, a mesma regra leva a ação a 181,7 shekels em dinheiro de hoje, uma alta real de 81,7%. |
Agora compare com o lucro. Um banco que lucra 10 em cada 100 de patrimônio e reinveste tudo cresce cerca de 10% ao ano. Em 5 anos, o patrimônio por ação vai de 100 para 161. |
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| Prazo | Preço da ação | Patrimônio por ação |
| Início | 100 | 100 |
| 1 ano | 112,7 | 110 |
| 3 anos | 143,1 | 133,1 |
| 5 anos | 181,7 | 161,1 | |
Conta ilustrativa: alta real de 1% ao mês no preço, 10% ao ano no patrimônio. |
A distância entre as duas colunas não sai do lucro. Ela sai da recompra. Cada shekel de preço acima do patrimônio precisa de alguém disposto a pagar mais do que a empresa vale, e no vissut esse alguém era o próprio banco. |
O peso cresce em espiral. Quanto mais caro o papel, mais caixa o banco precisa gastar para comprar a mesma quantidade de ações vendidas. Se o cliente vende 1.000 ações a 100 shekels, a recompra custa 100.000. Com a ação a 181,7, a mesma venda custa 181.700. |
Os bancos israelenses resolviam a espiral com mais dívida em dólar e mais emissões de ações. A cada rodada, o esquema ficava maior e mais dependente de que ninguém quisesse sair ao mesmo tempo. |
A segunda parte da conta chega no pânico. Suponha um banco com 50 milhões de shekels de caixa reservado para recompra e ações a 180 shekels. Ele aguenta a venda de cerca de 278.000 ações. |
Se 1 em cada 10 acionistas resolve vender no mesmo dia, e há 5 milhões de ações nas mãos do público, a fila chega a 500.000 ações. O banco precisaria de 90 milhões. Faltam 40 milhões, e a ação fica sem comprador. |
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Um preço sustentado por recompra aguenta a venda de poucos e quebra na venda de muitos. | | | |
Naquele outubro israelense, a fila foi maior que qualquer reserva. Quando o pregão reabriu, as ações de banco caíram com força, e o governo assumiu a garantia do valor delas. |
O acordo, conhecido em Israel como o arranjo das ações bancárias, prometeu ao acionista que segurasse os papéis até 1988 receber o valor em dólar da cotação anterior à crise. O Tesouro israelense pagou a conta, e os quatro maiores bancos passaram ao controle do Estado. | |
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