In partnership with

Alocação de Ativos   Alocação de Ativos
ED 147
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

O Fundo 157 guardou o imposto de 1967 na Bolsa

R$ 100 de imposto viravam R$ 100 em cotas de ações, e parte desse saldo segue parada nos fundos desde 1983.

Certificado de cotas do Fundo 157, de 1967

Brasil, 1967: o imposto de renda vira cota

▼

10 de fevereiro de 1967. Foi a data do Decreto-Lei 157, assinado pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco, que deixou o contribuinte brasileiro desviar uma fatia do imposto de renda devido para a Bolsa de Valores.

Um decreto-lei (norma com força de lei baixada direto pelo presidente, sem votação no Congresso) era a ferramenta preferida do governo militar, e este tinha um alvo claro: o mercado de ações brasileiro, pequeno e parado.

Em 1967, pouca gente comprava ações no país. Empresas se financiavam com crédito de banco ou com dinheiro do próprio dono, e a Bolsa do Rio de Janeiro negociava papéis de um punhado de companhias, quase sempre entre os mesmos corretores.

A equipe econômica de Octávio Gouvêia de Bulhões, na Fazenda, e Roberto Campos, no Planejamento, queria empresas abertas, com sócios espalhados entre milhares de famílias. Faltava convencer essas famílias a entrar.

A saída foi usar o dinheiro que o contribuinte já ia entregar ao governo. Na declaração do imposto de renda, ele podia marcar uma opção e mandar uma fatia do imposto devido para um fundo de ações, administrado por um banco ou uma financeira escolhida por ele.

Para um funcionário público de Curitiba que preenchia a declaração naquele ano, a proposta parecia um presente. O imposto a pagar diminuía, e no lugar da fatia desviada chegava um certificado com cotas (frações do patrimônio do fundo) em nome dele.

A opção virou rotina nas declarações dos anos seguintes, e os bancos disputavam o contribuinte com anúncios em jornal.

O certificado tinha, porém, uma regra de saída. O dinheiro ficava preso no fundo por um prazo mínimo, e o resgate dependia de pedido formal na instituição que guardava as cotas.

Muitos contribuintes guardaram o papel numa gaveta e seguiram a vida. Trocaram de endereço, de banco e de cidade. Alguns perderam o certificado; outros deixaram o saldo para herdeiros que nunca ouviram falar dele.

O incentivo acabou em 1983, e o saldo dessas cotas não sumiu junto: parte dele continua parada nos fundos, à espera de quem o reclame.

A seção I mostra como o decreto montou essa máquina de transformar imposto em cota, peça por peça.

Continue lendo ↓

 
 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Which GTM Work Should Agents Own?

Automating at random isn’t a system. Deciding what agents own and what people own is.

On October 28, HubSpot and Dust run Build, Buy, or Hire? live. You’ll leave knowing what to hand to agents, and with the workflows to prove it:

A framework for where a human stays in the loop
A post-call automation that updates your CRM for you
A Slack view of who owns each account and what happens next

Live at 11am EDT / 8am PDT

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Princípio

O imposto que virava cota

 
 

O mecanismo do Decreto-Lei 157 tinha três peças: o contribuinte, a instituição financeira e as empresas abertas. O governo abria mão de receber uma parte do imposto, e essa parte saía do caixa do Tesouro direto para o mercado de ações.

A instituição, um banco de investimento ou uma sociedade de crédito, recebia os recursos e montava uma carteira de ações. Cada contribuinte virava cotista, dono de uma fração dessa carteira proporcional ao imposto que tinha desviado.

A lógica econômica era a de um empurrão. Com dinheiro novo chegando todo ano pela declaração, as empresas teriam comprador para as ações que emitissem, e o pequeno poupador aprenderia na prática o que significa ser sócio de uma companhia.

O desenho carregava um defeito de origem. O cotista não escolhia as ações nem acompanhava a carteira; escolhia só a instituição, muitas vezes pela agência mais perto de casa.

O gestor, por sua vez, recebia o dinheiro sem precisar conquistá-lo pelo desempenho. A captação vinha garantida pelo calendário do imposto, e a taxa de administração (o percentual anual que o fundo desconta do patrimônio para pagar quem o gere) corria todo ano, com lucro ou prejuízo.

 

Dinheiro que entra por obrigação de calendário dispensa o gestor de provar que merece ficar com ele.

 

O empurrão funcionou por alguns anos. O dinheiro dos fundos ajudou a inflar a Bolsa do Rio de Janeiro, que subiu sem freio no primeiro semestre de 1971 e despencou a partir da metade daquele ano, levando junto as cotas compradas no pico.

Quem tinha entrado nos fundos naquela leva viu o certificado valer bem menos do que o imposto desviado. A confiança no investimento em ações, justamente o que o decreto queria criar, saiu da queda mais fraca do que tinha entrado.

Em 1976, a Lei 6.385 criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão federal que fiscaliza fundos e companhias abertas, e os fundos 157 passaram à supervisão dela.

O incentivo sobreviveu mais alguns anos, com regras ajustadas de tempos em tempos, até ser encerrado em 1983. Dali em diante, nenhum real novo de imposto entrou nos fundos, e o que estava dentro ficou à espera dos donos.

 
 
 
 

II  A Matemática

A conta de R$ 100 parados

 
 

Uma conta ilustrativa, em valores de hoje, mostra o que aconteceu com o certificado guardado na gaveta. Suponha que o funcionário de Curitiba tenha desviado R$ 100 do imposto para um fundo 157 em 1975.

Esses R$ 100 não saíram do salário dele. Era imposto que iria para o Tesouro de qualquer jeito, então qualquer saldo positivo no certificado representava ganho líquido sobre a situação sem a opção.

Agora entra o relógio. De 1975 a 2015 passam 40 anos. Se a carteira do fundo rendesse 8% ao ano acima da inflação, os R$ 100 chegariam a R$ 2.172, resultado de 1,08 multiplicado por si mesmo 40 vezes.

O fundo, porém, cobra taxa de administração todo ano. Com 3% de taxa, o rendimento líquido cai para 5% ao ano, e 1,05 elevado a 40 dá 7,04. Os mesmos R$ 100 chegam a R$ 704.

 
Cenário em 40 anosRendimento realSaldo final
Carteira sem taxa8% ao anoR$ 2.172
Taxa de 3% ao ano5% ao anoR$ 704
Taxa de 6% ao ano2% ao anoR$ 221

Conta ilustrativa: R$ 100 aplicados em 1975, em valores de hoje.

A coluna da direita mostra o peso da taxa. Três pontos percentuais por ano parecem pouco num extrato, e em quatro décadas levam dois terços do saldo possível.

O tempo sem cotista por perto piora a conta. Fundo com dono sumido não tem quem cobre desempenho, e muitos fundos 157 passaram por fusões e trocas de administradora ao longo das décadas, cada uma com o próprio cardápio de taxas.

Há ainda as trocas de moeda. Entre 1967 e 1994, o país passou pelo cruzeiro novo, pelo cruzeiro, pelo cruzado, pelo cruzado novo, pelo cruzeiro outra vez e pelo cruzeiro real, até chegar ao real. Cada troca cortou zeros do valor nominal, e um extrato antigo hoje parece mostrar centavos.

O valor das cotas, no entanto, acompanha a carteira de ações, e as ações atravessaram as trocas de moeda já convertidas. O número impresso no extrato velho não informa quanto a cota vale hoje; só a administradora atual tem esse dado.

 

O custo de um investimento esquecido raramente aparece numa linha só: ele se acumula em taxa, em ano perdido e em papel extraviado.

 

A regra prática que sai da conta vale para qualquer fundo: taxa anual alta, multiplicada por décadas, consome a maior parte do rendimento. A seção III leva a conta para a gaveta de quem desconfia ter um certificado.

 

Quem banca a edição de hoje

Eat well without any effort.

Getting the nutrition you deserve doesn’t need to take up all your time. CookUnity delivers fresh dishes handcrafted by award-winning chefs, ready to heat in minutes. Build a custom menu for your entire week, so you can spend your evenings on your terms—not scrubbing pans. Skip, pause, or change your plan size anytime.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 
 
 
 
 
 
 

III  A Aplicação

Como achar o saldo esquecido

 
 

Quem declarou imposto de renda entre 1967 e 1983, ou herdou bens de alguém que declarou, pode ter cotas de um fundo 157 em nome próprio ou da família. A Comissão de Valores Mobiliários mantém no site uma página de orientação sobre o Fundo 157 e indica o caminho do resgate.

A busca começa pelo CPF do titular. Com ele, a administradora atual do fundo localiza o cadastro, informa o número de cotas e o valor delas na data da consulta.

Quatro passos organizam a procura:

1

1. Procure em casa certificados, extratos antigos ou declarações de imposto com a opção do Decreto-Lei 157 marcada.

2

2. Consulte a página da CVM sobre o Fundo 157 para identificar a instituição que administra hoje o fundo de origem.

3

3. Procure a administradora com CPF e documento de identidade do titular, e peça o extrato de cotas por escrito.

4

4. Se o titular já não estiver vivo, os herdeiros fazem o pedido com a certidão de óbito e o documento do inventário ou da partilha.

 
 

Saldo esquecido só volta para a carteira quando alguém pede por escrito, com CPF e documento na mão.

 

O resgate também cobra tempo. Fundos antigos exigem conferência de cadastro, e a resposta pode levar semanas, conforme a administradora.

Depois do resgate, o dinheiro precisa de destino. Para quem não tem meta definida, o primeiro lugar é a reserva de emergência, em título pós-fixado como o Tesouro Selic. Para meta de longo prazo, um fundo de índice (ETF, cota negociada em Bolsa que replica um índice de ações) com taxa baixa aplica a lição da seção II.

O Fundo 157 deixou uma regra que serve a qualquer carteira: todo investimento precisa de um dono que saiba onde ele está. Uma planilha simples, com instituição, produto, data de compra e telefone de contato, evita que os herdeiros de hoje repitam a gaveta de 1975.

Vale guardar a planilha junto dos documentos da família e avisar pelo menos uma pessoa de confiança sobre ela. O certificado de 1975 se perdeu porque só o titular sabia que ele existia.

16 anos. Foi quanto durou o incentivo do Fundo 157, criado pelo Decreto-Lei 157 de 1967 e encerrado em 1983, segundo a Comissão de Valores Mobiliários.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, em que ano uma lei criou a CVM e colocou os fundos 157 sob fiscalização federal?

A1971
B1983
C1976
D1994

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
 
Você pediu, mudou

Você fez a diferença

A escolha da semana

A urna de 06/10 escolheu Depósitos em dólar no Líbano. Saiu em 10/10, na ed. 133.

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

⚖️⚖️⚖️⚖️⚖️  ótima ⚖️⚖️⚖️⚖️  boa ⚖️⚖️⚖️  ok ⚖️⚖️  ruim ⚖️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 24/10, 23h

A Bail-in do Chipre →
B Coroa offshore da Islândia →
C Taxa implícita da Old Mutual →
D Tesobonos de 1994 →
 
Recomendação de Newsletter
Best-Seller do Zero

Best-Seller do Zero

A técnica de escrita, um exercício simples e o mercado editorial, no seu email às 05:05.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 

Invista com princípios. Festina lente.

ALOCAÇÃO DE ATIVOS

Princípios atemporais para investir melhor

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo