In partnership with

Alocação de Ativos   Alocação de Ativos
ED 148
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

Em 1830, um juiz liberou ação na carteira alheia

Um fundo de 50 mil dólares caiu nas ações, e o tribunal de Massachusetts absolveu quem as comprou com prudência.

Tribunal de Massachusetts em 1830, com papéis de ações na mesa

Boston, 1830: o tribunal julga a carteira alheia

▼

50 mil dólares. Foi quanto o comerciante John McLean, de Boston, deixou num fundo fiduciário ao morrer, em 1823, para render à viúva enquanto ela vivesse.

Um fundo fiduciário (dinheiro entregue a um administrador para cuidar dele em nome de outra pessoa) era a forma comum de proteger herança na Nova Inglaterra. McLean escolheu dois administradores, Jonathan Amory e Francis Amory, e deixou as instruções no testamento.

A renda iria para a viúva, Ann McLean. Quando ela partisse, o capital seria dividido em duas metades: uma para o Harvard College, outra para o Massachusetts General Hospital, o hospital geral de Boston.

O testamento autorizava aplicar o dinheiro em “ações seguras e produtivas”, citando títulos públicos, ações de banco ou outras ações. A frase deixava aos dois Amory espaço para escolher.

Eles escolheram a indústria. Boston vivia a febre das tecelagens de algodão movidas a água, e os administradores compraram ações de companhias têxteis e de seguradoras, papéis que pagavam dividendos acima dos juros do governo.

As tecelagens de Waltham e de Lowell, cidades vizinhas de Boston, eram a tecnologia nova da época, e quem tinha capital disputava as ações delas como hoje se disputa papel de empresa de chip.

Por alguns anos, a renda da viúva engordou. Depois, as ações de algumas dessas empresas caíram, e o capital reservado às duas instituições encolheu.

Harvard e o hospital fizeram a conta e foram ao tribunal. A tese era simples: quem cuida de dinheiro alheio não pode arriscar, e os administradores deviam repor do próprio bolso o que a carteira perdeu.

O processo subiu até a Suprema Corte Judicial de Massachusetts, o tribunal mais alto do estado. Diante dos juízes estava uma dúvida válida para qualquer herança, fundação ou poupança gerida por terceiros: até onde vai a liberdade de quem investe o dinheiro dos outros.

A seção I mostra a resposta dada em 1830 e a frase do juiz que orientou os tribunais americanos por mais de 150 anos.

Continue lendo ↓

 
 
 
 

Quem banca a edição de hoje

NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

He’s pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: farming. 

DIT AgTech is already putting AI to work with 500+ units deployed and 370,000 head on-platform.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Princípio

A frase do homem prudente

 
 

O juiz Samuel Putnam redigiu a decisão do caso Harvard College contra Amory em 1830, e ela deu razão aos administradores. Jonathan e Francis Amory não teriam de repor a perda.

Para Putnam, a lei não podia exigir de um fiduciário a garantia de lucro. Podia exigir conduta: lealdade a quem recebe o dinheiro e julgamento sensato na hora de escolher onde aplicá-lo.

O trecho central da sentença ficou conhecido como a regra do homem prudente (prudent man rule, no original em inglês). Na tradução: “Observe como os homens de prudência, discrição e inteligência administram os próprios negócios, não em vista da especulação, mas da aplicação permanente de seus fundos, considerando a renda provável e a segurança provável do capital” (Samuel Putnam, Harvard College v. Amory, 1830).

A frase põe dois pesos na mesma balança. A renda provável conta tanto quanto a segurança provável, e nenhuma das duas vence sozinha.

Putnam acrescentou um argumento prático. Nenhum investimento era livre de perda: governos podiam atrasar juros, bancos quebravam, e até terra e imóvel perdiam valor. Na mesma sentença, escreveu: “Faça o que fizer, o capital está em risco.”

Proibir ações, portanto, não deixaria a carteira segura. Deixaria apenas a renda menor, e a viúva pagaria a conta todo ano, sem ganhar segurança alguma em troca. O risco só mudaria de endereço, do preço da ação para o calote do devedor.

 

O tribunal julgou a conduta do administrador na hora da compra, nunca o preço do papel anos depois.

 

A decisão abriu a primeira fatia de risco legal numa carteira de terceiros. Ações de empresas privadas, sem garantia do governo, passaram a caber no patrimônio de viúvas, órfãos e universidades, desde que escolhidas com o cuidado de um dono prudente.

Nem todo estado aceitou a ideia. Em 1869, o tribunal de Nova York julgou o caso King contra Talbot e proibiu fiduciários de comprar ações, e vários estados adotaram a lista legal (relação oficial de papéis permitidos, quase sempre títulos públicos e hipotecas).

A regra de Massachusetts venceu devagar. No século 20, estado após estado trocou a lista legal pelo padrão de prudência, e a ideia de Putnam chegou a 1992 reescrita no Restatement Third of Trusts (compilação de direito dos fundos fiduciários publicada pelo American Law Institute).

 
 
 
 

II  A Matemática

Quanto rende a carteira sem risco

 
 

Uma conta ilustrativa mostra o que estava em jogo para Harvard e para o hospital. Suponha um fundo de R$ 1 milhão, em valores de hoje, administrado por 30 anos para uma instituição.

Na carteira pedida pelos queixosos, tudo vai para título público. Suponha que ele renda 4% ao ano acima da inflação. Em 30 anos, 1,04 multiplicado por si mesmo 30 vezes dá 3,24, e o fundo chega a R$ 3,24 milhões.

Agora a carteira de Putnam: 60% em título e 40% em ações, com as ações rendendo 7% ao ano acima da inflação. A média ponderada dá 5,2% ao ano, e o fundo chega a R$ 4,58 milhões.

 
CarteiraRendimento realSaldo em 30 anos
100% título4% ao anoR$ 3,24 milhões
60% título e 40% ação5,2% ao anoR$ 4,58 milhões
100% ação7% ao anoR$ 7,61 milhões

Conta ilustrativa: R$ 1 milhão por 30 anos, com rendimentos supostos.

A fatia de 40% em ações acrescenta R$ 1,34 milhão em três décadas. Para uma universidade, a sobra paga bolsas, professores e prédios que a carteira só de título nunca pagaria.

O preço dessa sobra aparece nos anos ruins. Se as ações caírem 50% num ano, a carteira de 60 e 40 perde 20% do valor total; a de título puro atravessa o mesmo ano sem tropeço.

Foi um tropeço assim que levou Harvard ao tribunal. Os administradores tinham concentrado o fundo em poucas companhias, e a queda delas pesou inteira no capital.

Concentração muda a conta. Uma empresa sozinha pode perder 90% e não voltar; um conjunto de centenas de empresas raramente cai tanto, porque a queda de umas se compensa com a alta de outras.

A matemática da mistura só ganhou fórmula 122 anos depois do caso. Em 1952, o economista Harry Markowitz publicou o artigo “Portfolio Selection” (Seleção de Carteira) no Journal of Finance e mostrou que o risco de uma carteira depende de como os papéis se movem juntos, e não da soma dos riscos de cada um.

 

O risco de uma carteira mora na combinação dos papéis, e cada fatia se mede pelo estrago que faz no todo.

 

O juiz de 1830 não tinha a fórmula, mas tinha o instinto. Julgou a carteira pelo conjunto e pela intenção, sem condenar cada papel que caiu.

A lição para a tabela é direta. A fatia de risco se escolhe pela queda que o dono suporta, e a diversificação dentro dela decide se o tombo será de 20% no total ou de 90% num papel só.

 

Quem banca a edição de hoje

Where Quantitative Thinkers Compete, Learn and Grow

The International Quant Championship (IQC) is one of the world's largest quantitative research competitions, bringing together 156,000+ participants globally.

Participants have the opportunity to develop quantitative research skills, challenge themselves alongside peers from around the world and connect with a global community of quantitative thinkers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 
 
 
 
 
 
 

III  A Aplicação

A fatia de risco da sua carteira

 
 

A regra de Putnam serve a quem administra o próprio dinheiro tanto quanto a quem cuida de herança alheia. O teste é o mesmo: a escolha precisa ser defensável diante de um juiz, no dia da compra, com a informação disponível naquele dia.

Em 1994, a Uniform Law Commission, entidade americana que redige modelos de lei para os estados, publicou a Uniform Prudent Investor Act (Lei Uniforme do Investidor Prudente). O texto atualizou Putnam: o fiduciário passa a ser julgado pela carteira inteira, e diversificar virou dever.

Cinco passos levam a regra para a sua carteira:

1

1. Escreva o objetivo do dinheiro e o prazo em anos, como McLean escreveu no testamento a quem servia o fundo.

2

2. Defina a fatia máxima de risco, em percentual, que você aguenta ver cair pela metade sem vender.

3

3. Diversifique dentro da fatia com um fundo de índice (ETF, cota negociada em Bolsa que replica um índice de ações), nunca com duas ou três empresas.

4

4. Registre por escrito, antes da compra, por que escolheu cada fatia e quanto espera de renda provável.

5

5. Revise a divisão uma vez por ano e volte aos percentuais do passo 2 quando a carteira se afastar deles.

 
 

Prudência se prova no papel, antes da compra, e nunca no extrato depois da queda.

 

O registro escrito faz o papel do testamento de McLean. Ele lembra, no ano ruim, por que a fatia de risco existe e qual sobra ela deve entregar no prazo combinado.

Quem cuida do dinheiro de pais, filhos ou de uma associação carrega o mesmo dever dos dois Amory. A planilha com objetivo, fatia e justificativa protege o administrador e também quem depende dele. Se um parente questionar a perda num ano ruim, o papel mostra a decisão tomada com calma, no dia da compra.

O capital que restou do fundo seguiu o roteiro do testamento: a renda ficou com Ann McLean em vida, e o principal estava destinado a Harvard e ao hospital.

50 mil dólares. Foi o valor do fundo deixado por John McLean em 1823, segundo a sentença do caso Harvard College contra Amory (Suprema Corte Judicial de Massachusetts, 1830).

 
 
Quiz da edição

Quanto dinheiro o comerciante John McLean deixou em um fundo fiduciário ao morrer, em 1823, para render à viúva?

AUS$ 100 mil
BUS$ 25 mil
CUS$ 50 mil
DUS$ 75 mil

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
 
 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

⚖️⚖️⚖️⚖️⚖️  ótima ⚖️⚖️⚖️⚖️  boa ⚖️⚖️⚖️  ok ⚖️⚖️  ruim ⚖️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 25/10, 23h

A Coroa offshore da Islândia →
B Taxa implícita da Old Mutual →
C Tesobonos de 1994 →
D Equitable Life →
 
Recomendação de Newsletter
Advogado Atualizado

Advogado Atualizado

A decisão que muda a sua prática, a ferramenta que economiza hora e a pauta da semana, em cinco minutos. No seu email todo dia às 07:07.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

25262728293031

Dia 1 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 7}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 

Invista com princípios. Festina lente.

ALOCAÇÃO DE ATIVOS

Princípios atemporais para investir melhor

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo