24,7 horas. Era o tempo que os preços do Zimbábue levavam para dobrar em meados de novembro de 2008, pela conta dos economistas Steve Hanke e Alex Kwok, publicada no Cato Journal em 2009. Nenhum órgão do governo chegou a esse número. O escritório central de estatística do Zimbábue publicou a inflação de julho de 2008, 231 milhões por cento ao ano, e depois parou de divulgar. O câmbio oficial também deixara de servir. O Reserve Bank of Zimbabwe (o banco central do país) fixava uma cotação para o dólar americano, mas quase ninguém achava dólar para comprar a esse preço no balcão do banco. O comerciante de Harare precisava de outro termômetro. Achou um no pregão. A Old Mutual, seguradora e gestora de investimentos fundada na Cidade do Cabo em 1845, tinha ações listadas ao mesmo tempo na bolsa de Harare, em dólar zimbabuano, e na bolsa de Londres, em libra esterlina. Era a mesma ação, da mesma empresa, com os mesmos direitos. Um investidor podia comprar o papel em Harare, transferir o registro para Londres e vender em libra. Essa ponte prendia os dois preços um ao outro. Bastava dividir o preço de Harare pelo preço de Londres convertido em dólar americano. O resultado dizia quantos dólares zimbabuanos o mercado pedia por um dólar americano. O número ganhou nome: Old Mutual Implied Rate (taxa implícita da Old Mutual), ou OMIR, na sigla em inglês. Corretoras, empresas e lojistas passaram a remarcar preço por ela. Hanke e Kwok usaram a mesma taxa para medir a inflação que o governo deixou de contar. Em novembro de 2008, a bolsa de Harare suspendeu os negócios, e o termômetro apagou junto. A seção I mostra por que o preço de uma ação conseguiu medir uma moeda, e o que a lei do preço único (a regra pela qual o mesmo bem custa o mesmo em toda praça onde pode circular) ensina a quem investe. Continue lendo ↓ |