US$ 6 bilhões. Era o tamanho das reservas internacionais do México no fim de dezembro de 1994, pelos números publicados pelo Banco de México no começo de 1995. Um ano antes, o cofre guardava perto de US$ 25 bilhões. O dinheiro saiu aos poucos ao longo de 1994, um ano de eleição, de levante armado em Chiapas e de dois crimes políticos de alto escalão. Cada choque tirava dólares do país. O governo de Carlos Salinas de Gortari defendia uma banda de câmbio estreita para o peso e gastava reserva para segurar a cotação perto de 3,5 pesos por dólar. Para acalmar os credores, o Tesouro mexicano ofereceu um papel com promessa tentadora. Era o Tesobono, título público de prazo curto, quase sempre de 91 dias, cujo valor de face corrigia pela cotação do dólar. O investidor comprava em peso, mas o principal acompanhava o câmbio. Se o peso caísse 20% até o vencimento, o Tesobono pagaria 20% a mais em pesos. O risco de câmbio parecia resolvido. Os fundos de Nova York gostaram da proposta. Bancos mexicanos também. Ao longo de 1994, a dívida em Tesobonos inchou, enquanto os títulos em peso puro, os Cetes, perdiam espaço na carteira dos estrangeiros. Em 20 de dezembro de 1994, já no governo de Ernesto Zedillo, o México alargou a banda do câmbio em 15%. Dois dias depois, soltou o peso. Em março de 1995, o dólar passou de 7 pesos. O Tesobono fez o combinado. Cada papel passou a valer o dobro em pesos. O problema apareceu na hora de transformar esses pesos em dólares, a moeda pela qual o título prometia proteger. A seção I mostra o que o Tesobono prometia de fato, e por que indexar um título ao dólar não põe dólar nenhum no cofre de quem deve. Continue lendo ↓ |