238 anos. Foi o tempo em que a Equitable Life aceitou cliente novo, de 1762 até 8 de dezembro de 2000. A Equitable Life Assurance Society nasceu em Londres e se apresentava como a seguradora de vida mútua mais antiga do mundo. Mútua quer dizer sem acionistas: a empresa pertence aos próprios segurados, e o lucro volta para eles em forma de bônus. Entre 1957 e 1988, a casa vendeu planos de aposentadoria com uma cláusula generosa. Era a taxa de anuidade garantida, em inglês guaranteed annuity rate (quanto de renda anual por libra acumulada a seguradora prometia pagar na aposentadoria, fosse qual fosse o juro do dia). Nos anos 1970 e 1980, a cláusula parecia enfeite. O juro britânico estava alto, e qualquer renda comprada no mercado pagava acima da garantida. Ninguém precisava dela. Nos anos 1990, o juro dos títulos públicos britânicos, os gilts, caiu. A renda de mercado encolheu e ficou abaixo da promessa antiga. A cláusula esquecida passou a valer dinheiro grosso. Em 1993, a diretoria encontrou uma saída. Pagava a renda garantida, mas cortava o bônus final de quem escolhia usá-la. O segurado acabava com o mesmo valor por qualquer caminho, e a garantia ficava sem efeito. Um segurado chamado Alan Hyman foi à Justiça. O caso subiu até a Câmara dos Lordes, então a corte mais alta do Reino Unido. Em 20 de julho de 2000, os juízes decidiram contra a Equitable: a garantia tinha de ser honrada sem desconto no bônus. A seguradora se pôs à venda. Nenhum comprador topou assumir a conta, e em dezembro veio o fim das vendas, com cerca de 1 milhão de segurados ainda dentro. A garantia estava no contrato desde o primeiro dia. Faltava o dinheiro para pagá-la, e a seção I mostra de onde esse dinheiro teria de sair numa seguradora sem dono externo. Continue lendo ↓ |